Duas idosas passaram anos realizando uma escavação incomum no quintal da própria casa, no bairro Benedito Bentes, na parte alta de Maceió. O que à primeira vista poderia parecer apenas um hábito curioso acabou se transformando em um caso que chamou a atenção de vizinhos, autoridades e da internet.
Segundo relatos, durante cerca de oito anos, as irmãs Maria Rita, de 76 anos, e Maria José retiraram, pouco a pouco, a terra ao redor da residência usando uma simples colher de pedreiro. O material era colocado em baldes e descartado na rua. Com o passar do tempo, o que começou como pequenos buracos se transformou em um fosso ao redor da casa, com mais de um metro de profundidade.
A movimentação constante não passou despercebida. Vizinhos começaram a notar mudanças no terreno e, aos poucos, rachaduras surgiram em imóveis próximos. O receio de um possível desabamento trouxe preocupação para quem vivia na região.
O caso ganhou repercussão em 2019, após ser divulgado pelo vereador Siderlane Mendonça. A partir daí, as duas idosas passaram a receber acompanhamento psicológico e foram levadas para morar com familiares, em um local considerado mais seguro.
Em meio à repercussão, o filho de uma das idosas relatou a dificuldade da família em lidar com a situação.
“Minha mãe vinha com esse problema de saúde, e tentamos tirá-la daqui por várias vezes, mas ela não aceitava. Tanto eu quanto meus irmãos. Ela não queria de jeito nenhum.
Nós cogitamos acionar a Defesa Civil, as autoridades para dar um jeito. Só que mãe é mãe. Acho que, quando você pensa em tirar sua mãe de casa, levá-la para outro lugar, a gente pensa muitas vezes”, desabafou Almir Nascimento.
Ele também reforçou o cuidado da família:
“Não houve negligência nenhuma por parte dos filhos, nós amamos nossa mãe. No momento, a nossa preocupação é cuidar da saúde dela. A partir de agora, estamos na torcida para que ela fique bem e volte ao convívio normal”, completou.
Com a saída das moradoras, a casa ficou vazia. A intenção era recuperar a estrutura e, futuramente, permitir que elas retornassem ao local. No entanto, o tempo e as condições do terreno falaram mais alto.
Dois anos depois, durante um período de chuvas intensas, parte da residência não resistiu e acabou desabando. A cena confirmou o temor que já rondava a vizinhança. Casas próximas, já marcadas por rachaduras, aumentaram o clima de insegurança entre os moradores.
O caso, além de impressionar pela persistência das escavações, também acende um alerta sobre a importância da atenção à saúde mental, especialmente em situações que se desenvolvem de forma silenciosa ao longo dos anos — muitas vezes dentro de casa, longe dos olhos de quem poderia intervir a tempo.
.jpg)