O desabafo emocionado do viúvo da biomédica Giovana Ribeiro da Silva, de 29 anos, expôs a dor de uma tragédia anunciada: a morte da esposa e da filha ainda não nascida, Maria Carolina, vítimas de um buraco na avenida Djalma Batista, uma das mais movimentadas de Manaus. O acidente aconteceu no dia 22 de junho deste ano, quando o casal trafegava de moto e foi arremessado após o veículo atingir a cratera. Giovana estava grávida de sete meses.
Durante uma audiência pública na Câmara Municipal de Manaus, nesta quarta-feira (6), o marido da vítima – que ainda se recupera de fraturas nas pernas – usou a tribuna para denunciar o abandono das vias públicas e a indiferença das autoridades diante das mortes.
“Eu enterrei dois caixões por culpa de um buraco. A minha filha nunca vai vestir as roupinhas que a mãe passou e guardou com tanto amor. A primeira vez que ela chorou… foi de dor. De morte. E ninguém fez nada. Quando a gente vem aqui pedir socorro, eles apagam as luzes e vão embora”, relatou o homem, com a voz embargada.
Segundo ele, a forma como foi tratado pelos vereadores aumentou ainda mais sua dor. “Ninguém se colocou no meu lugar. O silêncio das autoridades, a falta de empatia, tudo isso mata a gente um pouco mais todo dia.”
Giovana e Maria Carolina foram sepultadas lado a lado, deixando uma cidade em choque e uma família destruída pela dor. O caso levantou questionamentos sobre a responsabilidade do poder público na manutenção das vias e na prevenção de tragédias como essa.
“A Giovana está morta, mas nós estamos aqui para dar voz a ela. Porque o que matou minha esposa e minha filha foi a negligência. E isso não pode mais continuar acontecendo”, finalizou o viúvo.
O acidente causou forte comoção nas redes sociais, com manifestações pedindo justiça e responsabilização. Até o momento, a Prefeitura de Manaus não se pronunciou oficialmente sobre o caso ou sobre a situação da via onde ocorreu o acidente.
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